
A data de 26 de janeiro foi estabelecida em 1975, após o Encontro Internacional sobre Educação Ambiental realizado em Belgrado, promovido pela UNESCO. Desse encontro surgiu a Carta de Belgrado, documento que se tornou o primeiro marco conceitual internacional da educação ambiental, ao apontar a crise ecológica global e defender a necessidade de formar cidadãos críticos, informados e corresponsáveis pelo planeta.
Desde então, o Dia Mundial da Educação Ambiental é lembrado em diferentes países como um momento de reflexão sobre os impactos do atual modelo de desenvolvimento e sobre o papel da educação na construção de sociedades sustentáveis. No Brasil, esse debate ganharia força anos depois, com conferências internacionais, a Rio‑92 e a criação de políticas públicas específicas para o tema.
Educação ambiental: muito além de “falar de natureza”
A Política Nacional de Educação Ambiental, instituída pela Lei nº 9.795/1999 e regulamentada em 2002, define educação ambiental como os processos por meio dos quais indivíduos e coletividades constroem valores, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltados à conservação do meio ambiente e à melhoria da qualidade de vida. Isso significa que educação ambiental não é apenas conteúdo escolar, mas um trabalho contínuo, crítico e participativo, que acontece em todos os espaços – da sala de aula às redes sociais, dos territórios tradicionais aos santuários de fauna.
Documentos como a Carta de Belgrado e os tratados posteriores reforçam que não há educação ambiental neutra: ela precisa enfrentar as causas estruturais da degradação, relacionando meio ambiente, economia, política, cultura e justiça social. Nesse sentido, falar de educação ambiental hoje é falar de desmatamento, mudanças climáticas, desigualdade, racismo ambiental, bem‑estar animal e modelos de consumo que pressionam ecossistemas inteiros.
Quando a falta de educação vira sofrimento animal
No Santuário Silvestre Animal Care, os efeitos da ausência de educação ambiental chegam em forma de histórias individuais: animais vítimas de tráfico, de cativeiro ilegal, de exploração em atividades turísticas ou de maus‑tratos que poderiam ter sido evitados com mais informação e responsabilidade. Esse padrão se repete em diferentes regiões do país, como apontam campanhas e levantamentos de órgãos ambientais e organizações da sociedade civil, que relacionam o comércio ilegal de fauna, a perda de habitat e a captura de animais à desinformação e à falta de políticas efetivas.
Ao mesmo tempo, experiências em escolas, comunidades e espaços não formais mostram que a educação ambiental, quando construída de forma participativa, é capaz de mudar comportamentos, estimular denúncias de crimes ambientais e mobilizar apoio a iniciativas de conservação. Cada pessoa que deixa de comprar um animal silvestre, que se recusa a tirar fotos com animais explorados ou que passa a apoiar um santuário é resultado de processos educativos que conectam informação, afeto e corresponsabilidade.
O papel dos santuários na educação ambiental
Santuários de fauna cumprem uma função dupla: cuidar de animais que não podem retornar à natureza e, ao mesmo tempo, prevenir que novas histórias de sofrimento se repitam. Essa prevenção passa, necessariamente, pela educação ambiental. Ao abrir seus bastidores para o público – presencialmente ou pelas redes – o Santuário Silvestre transforma cada indivíduo acolhido em um educador potente, capaz de contar, com o próprio corpo e sua história, o que significam o tráfico de animais, a perda de habitat e a negligência humana.
Iniciativas de educação ambiental ligadas a instituições de conservação vêm sendo destacadas por políticas públicas e programas nacionais como caminhos estratégicos para a formação de cidadãos mais críticos e atuantes na defesa do meio ambiente. Ao lado de escolas, universidades, comunidades tradicionais e outros equipamentos culturais, santuários ajudam a ampliar o alcance dessas ações, especialmente quando se comunicam de forma acessível e constante com diferentes públicos.
Um ano inteiro de educação ambiental no Santuário
Ao celebrar o Dia Mundial da Educação Ambiental em 26 de janeiro, o Santuário Silvestre Animal Care inaugura oficialmente sua linha editorial de 2026 focada em educação, conservação e bem‑estar da fauna silvestre. A cada mês, temas como água, florestas, biomas brasileiros, povos indígenas, crueldade contra animais, grandes predadores e retrospectivas de conservação serão abordados em profundidade, conectando datas do calendário socioambiental a histórias reais do dia a dia do Santuário.
A proposta é ir além da “informação episódica” e construir, com o público, um processo educativo contínuo, onde cada conteúdo – seja uma matéria como esta, um carrossel nas redes sociais ou um vídeo de bastidor – convide à reflexão e à ação concreta. Em um cenário de crise climática, perda acelerada de biodiversidade e aumento da pressão sobre a fauna silvestre, a educação ambiental deixa de ser complemento e passa a ser condição de sobrevivência compartilhada.
Ao longo de 2026, o Santuário seguirá com seu trabalho de conscientização para que mais pessoas se reconheçam como parte da solução. Afinal, proteger os animais também é uma escolha que se aprende – e reaprende – todos os dias.
Manuella Soares, Jornalista, Mestre em Educação, Gestão e Difusão em Biociências.